Dante Lucchesi
Alan Baxter
Ilza Ribeiro
(Organizadores)
Este livro se fundamenta na visão de que, no cenário polarizado da formação histórica da realidade linguística brasileira, o contato entre línguas afetou diretamente a formação dos padrões coletivos de fala da maioria da população do país (o que se denomina aqui norma popular) e só indiretamente a fala das classes economicamente privilegias, tradicionalmente chamada de norma culta. E os mecanismos gramaticais em que os efeitos do contato linguístico são mais notáveis são exatamente os mecanismos da concordância nominal e verbal, de modo que a falta de concordância constitui a grande fronteira sociolinguística da sociedade brasileira. É sobre ela que incide, em sua forma mais virulenta, o preconceito linguístico. E é ela que é tomada como o parâmetro definidor das capacidades profissionais, intelectuais e políticas de cada indivíduo. A imprensa conservadora reiteradamente invocou a falta de concordância na fala do presidente Lula da Silva para “demonstrar” a sua incapacidade para exercer a Presidência da República. É assim que se manifesta a intolerância dos segmentos mais reacionários diante do fato de um operário governar o país, mesmo que o governo desse operário não comprometa, nem confronte, no fundamental, os interesses dos grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros. Ficam, então, evidentes as raízes históricas do preconceito linguístico, elemento central da ideologia dominante e um poderoso mecanismo na engrenagem da grande exclusão social, econômica e política que esgarça a sociedade brasileira até o paroxismo da violência urbana desenfreada e da miséria que degrada a periferia das grandes cidades do país.
©2009 by Autores.
Direitos para esta edição cedidos à EDUFBA
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