As causas para a inabilidade para produção de textos escritos por pessoas escolarizadas podem ser de várias espécies, mas de modo geral, nossas vivências em sala de aula nos levam a afirmar que nada é mais prejudicial que o medo de escrever errado. O modelo tradicional do certo/errado inúmeras vezes repetido na escola e consagrado pela mídia, ainda é muito forte em nossa cultura e, porque não dizer, em nós mesmos. Basta observar a reação de uma pessoa frente a um texto criativo, original, mas que apresenta uma ou mais palavras “erradas”. É notório quanto o juízo de valor em relação à ortografia representa no julgamento da qualidade de um texto. E por conseqüência, no julgamento que se faz do seu autor ou da sua autora.
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Amazônia: linguagem e cultura afro-brasileira
Este texto apresenta o resultado de uma pesquisa que teve como objetivo analisar de que forma os negros e os elementos da cultura afrodescendente são representados nos textos de livros didáticos de Língua Portuguesa de 5ª a 8ª série (6º ao 9º ano) de escolas públicas. A análise teve como corpus quatro livros didáticos publicados entre 2005 e 2007. Nosso trabalho buscou identificar, nos textos, quantas vezes apareciam alusão às personagens humanas de etnias brancas e negras, bem como o tratamento dado a cada uma delas. A pesquisa mostrou a enorme desigualdade existente, no livro didático, entre o tratamento dado ao branco e aos não-brancos, alertando para a existência de uma linguagem que teima em fazer vistas grossas à nossa realidade de país multicultural. Todavia, a maior constatação foi a existência de um silenciamento quase que total sobre a participação efetiva, em nossa sociedade, da população não-branca, sendo nula a abordagem, mesmo em capítulos dedicados à diversidade, à complexidade e à riqueza das culturas africanas. Leia o artigo
REVISTA 099 - Julho a Setembro de 2009 - Ano XXV.